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E as cicatrizes?

"E as cicatrizes, vais tapar? Já viste tatuagens para tapar a cicatriz maior? Não te incomodam? Foste bem esquartejada! Essa é bem grande, vais tapar? E depois na praia, não podes apanhar sol não é?" Com uma ou outra variação vão surgindo esse tipo de questões em relação às cicatrizes, principalmente à maior, que deixa algumas pessoas mais impressionadas. Malta, são só cicatrizes. Quem não gosta não olha, e quem se sentir incomodado desvie o olhar. Temos pena. 
Todos temos cicatrizes das batalhas que travamos, umas mais literais, umas menos. No meu caso as minhas são literais. São literalmente marcas de guerra, que no início de todo este percurso sim, ponderei tapar com uma tatuagem porque uma das cicatrizes é bastante grande. Depressa me passou essa ideia. Não vai acontecer, elas são demasiado importantes e são uma lembrança daquilo que passei e daquilo a que sobrevivi. Diz que posso ter de ser operada uma terceira vez, uma nova marca de guerra. Não vale a pena pensar muit…

Tens cancro, e então? (parte IV)

Gemcitabina e Oxaliplatina. Perdão? É isso mesmo, são esses os nomes da medicação que vou fazer durante os próximos 4-6 meses, na melhor das hipóteses. GEMOX para os amigos, suponho. Um ciclo a cada duas semanas, entre 4 a 5 horas a levar na veia e a curtir Netflix e Spotify. Vamos fazer aqui um momento de reflexão e perceber que foi das melhores coisinhas que inventaram nesta vida. Pronto, já está.

Agora vamos a factos: se todos os meus ciclos forem iguais aos dois primeiros eu considero-me uma pessoa cheia, mas cheia de sorte. É que a lista dos efeitos secundários da quimioterapia é gigante, o número de testemunhos de pessoas que passam muito mal com a quimio também não é pequeno, e no entanto os sintomas que tive são perfeitamente suportáveis.

Estamos a falar de alguma azia, algumas alterações intestinais de fácil logística, um dia de alguns enjoos mas que não são mesmo nada de especial. Tenho feito os ciclos às quintas feiras e é ao 2°-3° dia que sinto um bocadinho mais de fadiga…

(in)tolerância

Hoje em dia só olhamos para o nosso umbigo. Fingimos ouvir o que as pessoas nos dizem, só porque fica bem, mas no fundo ignoramos o que nos é dito. Somos egoístas, somos egocêntricos, mas para ficarmos bem na fotografia somos muito bem educados a mandar os outros à merda. E eles ainda nos agradecem, com um sorriso nos lábios, porque estamos a ser uns fofinhos e super altruístas. No fundo estamos a ser umas bestas.
Não há tolerância. Vamos a um café e atendem com má cara, vamos no trânsito e não há respeito pelos outros, pelas regras, e a maioria das vezes nem sequer agradecem. Estamos no ginásio e pedimos uma coisa e olham para nós como se fossemos um extraterrestre, grunhem uma resposta e continuam na vidinha deles. Vamos a um balcão de atendimento e demoramos mais um bocadinho a chegar ao balcão e estão logo a gritar o número da senha. Às vezes é só o tom, é só a voz e a entoação. "Quando puder, é o meu pequeno almoço", mas o tom e a postura é de "estou com pressa, f…

Tiveste cancro, e então? (parte III)

Catarina, precisamos de conversar. Foda-se. Fecham-se os olhos, respira-se fundo, olha-se para o teto ao mesmo tempo que se morde o lábio. "Diga Dr., o que é agora?"
E pela terceira vez em pouco mais de um ano as notícias não são animadoras e o coração fica mais apertadinho. O TAC acusou mais um nódulo, com cerca de 2,3cm e próximo do estômago, que não conseguem perceber bem se é peritoneal ou linfático. Porreiro, pá. E então o cirurgião diz que não faz sentido estarmos a abrir de cada vez que aparece uma coisa nova, por isso vamos avançar com quimioterapia. Calma, mas quimio, quimio? Ou imunoterapia, como tinhamos falado antes? Sim, quimio, quimio. Foda-se. Foda-se, foda-se, foda-se.
Uma pessoa nunca sabe bem como vai reagir nestas alturas. Acho que tenho reagido bastante bem desde o início. Detesto síndromas do Calimero, detesmo mesmo e não consigo lidar com esse tipo de pessoas. Mas a sério, aquilo que não ajuda nada é ter as pessoas à nossa volta a panicar, porque dá vo…

Mulheres com quem eu dormia, assim na boa e sem pensar duas vezes #13

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Gal Gadot
(Always be yourself. Unless you can be Wonder Woman)

Treino do dia, ou de como voltar a treinar de forma super badass #3

Estão a ver aquelas semanas em que parece que o corpo não responde ao que nós queremos? Esta semana estive como o tempo. O que treinei valeu a pena, dediquei-me, mas treinei pouco. Fiz dois treinos de Muay Thai, com o coração de periquito na boca, ganhei mais umas nódoas negras mas nada de novo. Senti-me mais dorida no abdominal, mesmo sem fazer abdominais tradicionais (só mesmo pranchas), senti-me com mais dores musculares, e senti-me com menos energia para ter coragem de levantar o rabo e ir treinar. Só fiz um treino de mobilidade, flexibilidade e ativação muscular. Shame on me, right? Nem por isso.
Treinei menos, mas e então? Sei que não é por termos uns dias menos bons que não alcançamos os nossos objetivos. Sei também que por vezes o corpo precisa de descansar. Tenho de um lado o diabo a dizer que treinei pouco, que me deixei levar pela preguiça, que assim não chego lá, que cedi à fraqueza. Do outro lado tenho o anjo a dizer que o que treinei foi a foi a 200%, que não faz mal nã…

Spoiler alert! (ou de como sim, eu também vou falar sobre La Casa de Papel)

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A história não é nova. Um grupo de indivíduos, uma mastermind à frente do golpe, um assalto por dinheiro. Nada de novo certo? Errado. Estão a ver aquelas séries em que sem nos darmos conta estamos super ansiosos, a bater o pé ou a perna e damos por nós a roer as unhas quase até ao sabugo? Pronto, foi assim que me senti a ver esta série. Vamos a factos.


A série é espanhola. Logo por aí torci o nariz, mas decidi dar o benefício da dúvida, e ainda bem que o fiz. Temos um indivíduo que se auto intitula como o "Professor", que recruta uma combinação improvável de 8 indivíduos, cada um com características essenciais ao assalto que quer fazer à Casa da Moeda. Querem apenas e só 2,4 mil milhões de euros. Coisinha pouca, que os obriga a ficar na Casa da Moeda cerca de 10-12 dias, com 67 reféns. E porquê? Porque eles não querem roubar o dinheiro de ninguém, o que eles querem é fazer dinheiro. Ora se por vezes a relação entre duas pessoas já é atribulada, então imaginem 8 ladrões e 67…