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Não gosto de falar com desconhecidos. Não sei usar desbloqueadores de conversa. Não meto conversa no elevador, nem quando estou à espera dele. Não sou extrovertida com quem não quero. Não falo, ouço. Se não tenho nada de interessante para dizer calo-me. Gosto de silêncio. Gosto de gostar do silêncio. Porque os que se calam dizem mais coisas do que aqueles que estão sempre a falar...

6.2.15

Porque amanhã sabes bem, é sempre longe demais.*

Três anos e meio passados e pouca coisa mudou, tendo mudado tanto. Às vezes pergunto-me porque estamos constantemente insatisfeitos. Porque é que o que servia ontem já não serve hoje, porque é que estamos em constante antecipação do amanhã e quando finalmente o amanhã chega queremos tanto mudar o hoje? Queremos sempre mais, queremos sempre melhor, esquecendo às vezes que o que temos já é o melhor, ou pior, somos ou andamos tão cegos que nem sequer sabemos que temos o melhor. Os melhores amigos, a melhor família, as melhores experiências, as melhores memórias. Queremos tanto alcançar a perfeição em tudo que alguma coisa há-de ficar para trás. Queremos sempre chegar a todo o lado e acabamos por não chegar a lado nenhum. E com isto acabamos por deixar a vida correr e passa-se um dia, uma semana, um mês e um ano e nós andamos tipo pescadinha de rabo na boca, no constrói e destrói, tal e qual peças de legos que parece que encaixam mas afinal não é bem assim. É que o amanhã implica esperança, implica algo que não é bem real mas podia até ser, o amanhã implica os "e se" e os "talvez", o hoje já se conhece e o hoje não nos agrada. E então não nos resta outra coisa senão antecipar um amanhã, ainda que esse amanhã chegue e afinal seja uma grande merda. Mas não faz mal, porque amanhã é outro dia.


* Rádio Macau - Amanhã é sempre longe demais.

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